terça-feira, 30 de junho de 2009

MEDICINA

NÃO SE ESQUEÇA: COMA MENOS

O segredo para uma memória afiada na terceira idade é manter a boca fechada, foi o que mostrou um novo estudo que relacionou pela primeira vez - palavra dos autores - essa função cognitiva e dieta.
Nos últimos anos, estudos sobre a redução calórica têm apresentado resultados dúbios ou conflitantes. Alguns, feitos em roedores, indicam que comer menos previne doenças neurodegenerativas; outros, em humanos, apontam para uma relação direta entre restrição calórica e aumento da longevidade. No entanto, o artigo de Agnes Flöel, da Universidade de Münster (Alemanha), e colegas está sendo indicado como o primeiro a relacionar a restrição calórica com a melhora da memória.
Um total de 50 pacientes (média de 60 anos de idade e com peso normal ou leve sobrepeso) foi dividido em três grupos:
I) os que continuaram comendo normalmente;
II) os quecortaram 30% das calorias nas refeições;
III) os que acrescentaram às refeições gorduras poli-insaturadas (presentes no azeite de oliva, nas castanhas e nos peixes, por exemplo).
O estudo estendeu-se por três meses.
Ao final, testes de memória mostraram que os pacientes do segundo grupo obtiveram resultados, em média, 20% mais altos que os outros voluntários. Também foram encontrados nesses voluntários níveis mais baixos de insulina. Estudos indicam que isso é um bom indicador de que o organismo se tornou mais eficiente em "queimar" açúcar, o que pode trazer benefícios para o cérebro. O problema é justamente quando o cérebro se torna resistente a esse hormônio.
Os pesquisadores não conseguiram saber, no entanto, se os benefícios foram maiores para o grupo com peso normal ou para aqueles com sobrepeso, pois não havia número suficiente de participantes para essa conclusão. O próximo passo da equipe é ver se essa restrição calórica funciona para pacientes portadores de distúrbios cognitivos leves.

PNAS, v. 106, pp. 1.255-1.260, 2009

segunda-feira, 29 de junho de 2009

GENÉTICA

SEQUENCIAMENTO DO VÍRUS DO RESFRIADO

Eles são, até agora, 99. Mas talvez haja mais por aí. Formam um exército do mal. Atacam em tempos de temperaturas mais baixas, são altamente contagiosos e causam profundo desconforto nos humanos (e, por vezes, infecções secundárias nos ouvidos e pulmões e crises de asma). Eles são as linhagens conhecidas do vírus do resfriado. Agora, a ciência conseguil uma vitória contra essas forças: sequenciou todas as "letras" do material genético do rinovírus.
Isso não representa o fim desse patógeno, mas sim o começo de uma estratégia que poderá levar a medicamentosmais eficazes contra o resfriado ou até (apesar de menos provável, dada a diversidade do rinovírus) a uma vacina universal. Por que é difícil combater o vírus: uma pessoa pode ser infectada por mais de uma linhagem ao mesmo tempo. E esses tipos de rinovírus podem recombinar seus genes, dando origem a uma nova linhagem, o que dificulta (muito) a obtenção de uma vacina de ação planetária.
Com o mapa genômico das 99 linhagens, no entanto, os pesquisadores poderão ter uma ideia sobre como se dão essas trocas, o que facilitaria a busca por novos antivirais. Essa informação poderá também facilitar a localização dos pontos mais vulneráveis para o ataque de drogas.
As amostras para o sequenciamento foram extraídas das narinas de vários humanos ao redor do mundo. Além das duas categorias gerais conhecidas antes (cada categoria reúne diversas linhagens) denominadas A e B, o trabalho ainda permitiu identificar uma terceira, C, que, segundo os autores, é mais virulenta e pode infectar células em regiões bem profundas do pulmão.
Em crianças, o rinovírus pode reprogramar o sistema imune, levando ao surgimento de asma na adolescência.
"Science on-line"